Solar do Conde

Numa tarde dedicada à exploração de locais abandonados, fui visitar este magnífico solar. Já tinha passado por ele várias vezes e sempre me despertou a atenção por ser um edifício bastante imponente por fora e por ter alguns sinais de estar abandonado. Não ia muito convicto do que ia encontrar, sinceramente esperava que o interior fosse pouco cativante, mas afinal tive uma agradável surpresa.

Na altura, não tinha ideia a quem pertencera a casa, mas depois de estar no seu interior, percebi desde logo que deveria pertencer ou ter pertencido a alguém ligado à aristocracia, tendo em conta os brasões e retratos encontrados na casa.

Acabei por descobrir facilmente quem era o aristocrata, ao ler algumas cartas que estavam à vista numa mesa da sala. Tratava-se de um conde muito importante naquela região e descobri também que este solar era apenas uma das casas que o mesmo possuiu naquela zona. Não vou relevar o nome, porque isso poderia ajudar a chegar à localização da propriedade e nem todas as pessoas gostam de visitar estas casas históricas apenas para fotografar. Embora já esteja fechada atualmente, considero que todo o cuidado é pouco.

É incrível pensar nas vivências, nas pessoas e histórias que por ali passaram. A sala, também ela uma espécie de biblioteca, na minha opinião é a parte mais incrível da casa, as prateleiras têm muitos livros, sobre leis, prática criminal, saúde e muitos outros temas. Alguns desses livros têm mais de 100 anos.

Com o passar dos anos, este solar foi passando de geração em geração. Acabou por ser vendido, curiosamente a outro aristocrata (também ele um conde, daí existirem dois tipos de brasões diferente na casa) e mais tarde foi novamente vendido com o intuito de ser transformado num hotel de charme, mas nunca chegou a acontecer. Dias depois, em conversa com pessoas daquela localidade, vim a perceber o motivo da casa estar no estado em que está. O antigo caseiro morreu há uns anos e desde aí, a casa ficou sem qualquer tipo de manutenção, visto o atual proprietário não estar a residir em Portugal.

É sempre engraçado e um pouco confuso, quando tento abordar pessoas desconhecidas sobre uma casa. Inicialmente existe sempre desconfiança, é normal porque não me conhecem e normalmente falo com pessoas de certa idade, o que também não ajuda, mas depois de explicar as minhas motivações e mostrar o meu trabalho (fotos e blog), acabam normalmente por perceber e ajudarem-me a perceber as histórias das casas e neste caso especifico, foi exatamente assim.

Pouco depois da primeira visita, regressei à casa uma segunda vez e mantinha-se igual. Para proteger a casa, acabei por guardar as fotos até agora e pedi às pessoas que me acompanharam para fazerem o mesmo. Atualmente, fui informado que foi nomeada uma nova pessoa para tratar da casa, curiosamente uma das pessoas com quem falei na altura.

Felizmente, foi-me permitido publicar as fotografias, desde que não fosse identificado o nome verdadeiro da propriedade, nem do proprietário. Mantenho contcto com o atual caseiro e fico feliz, porque de certa forma pude alertar para o estado atual da casa e ajudar a protegê-la.

André Ramalho

Sou um apaixonado por fotografia e locais abandonados, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar os meus registos e aventuras.

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