Casa das Quatro Estações

Numa altura em que Portugal inteiro está em confinamento (ou deveria estar), as explorações de locais abandonados ficaram em pausa, pelo menos para mim. Gosto de visitar e fotografar estes lugares, mas é altura de parar e jogar pelo seguro, existem coisas mais importantes do que fotografias.

Felizmente, tenho muitas explorações para editar e publicar, mas sinceramente tem-me faltado um pouco a motivação para o fazer e também tenho dedicado mais tempo a outros hobbies, o que justifica não ter publicado tanto no blog nos últimos tempos. Mas vamos ao que interessa, vamos conhecer a casa das quatro estações?

Por fora, uma casa simples, antiga… por dentro é percetível o estado avançado de degradação, muitas salas vazias, mas surpresa das surpresas, tem um salão com um teto simplesmente magnifico.

Tentei pesquisar um pouco a história da casa e descobri que os primeiros donos estiveram muitos anos emigrados no Brasil e quando regressaram construíram a casa.

O salão com o teto em estoque, tem uma decoração sobre as quatro estações do ano. Ao centro existem duas personagens, mas infelizmente não consegui saber ao certo quem eram, mas presumo que a composição esteja relacionada com a época dos descobrimentos. Ainda tentei publicar fotos deste teto em alguns grupos ligados à história de Portugal, mas infelizmente ninguém me soube esclarecer do que se trata, tenho esperança que no futuro ainda venha a descobrir.

Este salão devia ser usado sobretudo para leitura, dança e convívio no geral. Ao centro da sala, está um sofá redondo, no móvel alguns livros espalhados, imagino que esta divisão em particular tenha proporcionado bons momentos de lazer à família que aqui morou em tempos.

O resto da casa, infelizmente não tem tanto interesse. Como disse anteriormente, tem muitas divisões vazias e são divisões bastante mais simples. Mais explorações a caminho, até lá, protejam-se, fiquem em casa e energia positiva.

André Ramalho

Sou um apaixonado por fotografia e locais abandonados, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar os meus registos e aventuras.

16 thoughts on “Casa das Quatro Estações”

  1. Olá Andre acompanho o seu trabalho desde o ínicio e acho fantástico. Inclusivé já o mencionei noutra ocasião. Hoje venho apenas lhe dar uma sugestão, acho que deveria vir ao Algarve, cá também existe casas abandonadas e com interesse. È o caso de Loulé, com o chale abandonado do sec.XIX. Em Olhão há pelo menos 3 chalés abandonados e um convertido. No concelho de Tavira há casas bem antigas, são apenas alguns exemplos. Cumprimentos

    1. Faço intenções de ir ai explorar, mas infelizmente é longe e ainda não tive oportunidade, mas obrigado pela sugestão, vai acontecer! Cumprimentos.

  2. Estou fascinada por estas fotos lindíssimas, como é possível filhos e netos abandonarem tamanha beleza algumas feitas de certeza com muita dificuldade e muito suor! Fico sem palavras. Obrigada

  3. Olá Pedro e olá aos outros leitores.
    Escrevo por duas razões:
    1ª – A casa não está completamente abandonada pois não? isto é, tem os vidros, nota-se que caíram coisas, mas fico com ideia de ser um abandono temporário (porque ficou assim, conseguiu descobrir? se não for roubar-lhe muito tempo e lhe apetecer, tem o meu mail no formulário).
    2º- O teto não é um episódio histórico de Portugal. É uma alegoria – uma mensagem, um conceito que se traduz por outras imagens ou palavras – e a escolha dos motivos é em parte historicista e em parte da Antiguidade Clássica porque, como alegoria, é algo que corresponde a uma “situação” de um passado longíquo e vago. A cartela esvoaçante diz “América Visitando Portugal” e, por isso, surge uma figura alegórica da América , que é copiada de representações muito conhecidas da Vénus no seu carro (mas tb pode ser copiada de uma representação do carro de Juno, por exemplo) porque o que identifica a figura não é tanto o aspeto da imagem, mas os atributos que remetem para a América (a pena e o animal exótico).
    A alegoria/personificação de Portugal segue os mesmos códigos: vai buscar uma imagem clássica de Marte (deus da guerra e do engenho militar), mas acrescenta uma série de pequenos atributos à figura e que evocam Portugal (as embarcações dos Descobrimentos e – parece-me, mas tenho dúvidas – a estátua equestre de D. José I).
    Ora, sabendo nós que a casa foi construída por gente que emigrou para o Brasil, esta alegoria tem um significado muito pessoal para os donos da casa porque remete para a sua própria história. É possível que a estátua de D. José I se justifique pelas iniciativas do Marquês de Pombal na fundação de companhias como a do Pará e Maranhão. Sabendo pormenores concretos das pessoas que ocuparam a casa, cada elemento poderá ganhar um significado específico.
    Mas, no geral, é isto que escrevi: essa sala, em princípio seria num primeiro andar e ou era a primeira sala a que se acedia da escada ou a partir de uma ante-câmara. Embora tenha mobiliário associado à leitura, na arquitetura de interiores da sua época, ela não é uma sala virada para a família, mas virada para receber. E como sala virada para as visitas, para os outros, é uma sala de aparato e de propaganda. A sala que fala pelos donos da casa. E, nesse sentido, é muito interessante explorar esta representação porque , de certa forma, se a América visita Portugal (coisa que não aconteceu na mitologia porque não havia sequer o conhecimento da América enquanto continente) fá-lo através daqueles indivíduos que estiveram na América, mas são portugueses e trouxeram um bocadinho da América [do Sul] para Portugal.

    Muito interessante. O meu nome é Mário Nascimento, trabalho no Museu de Lisboa e adorava saber que casa é e ter uma foto melhor deste teto (e de outros se houver). Pode ver no facebook ou youtube do Museu de Lisboa que eu existo mesmo e que investigo sobre a cidade e casas, jardins, hortas etc. Acho este caso deveras interessante e esteja descansado que não estou a pedir-lhe isto para ir lá roubar nada. Eu nem sequer sei conduzir! 😀
    Obrigado e até um destes dias.

    1. Muito obrigado pelo comentário Mário. Vou guardar o seu email caso no futuro me depare com mais edifícios com tectos ou pinturas ligadas a episódios históricos. Segundo sei esta casa está actualmente a ser restaurada felizmente.

  4. Parabéns André

    Descobri este site por uma pesquisa curiosa que fiz à discoteca Stressless, pois fu lá algumas vezes. Foi triste ver como está hoje em dia, mas muito agradável descobrir tantos registos espetaculares de sitio abandonados (partilho do mesmo gosto).

    Bom trabalho

  5. Lindo local! Parabéns por fazer emergir tanta beleza escondida…fico imaginando quem foram os donos, o que faziam, as festas que fizeram e os convidados que tinham….sonhos, tragédias,; suas vidas!
    Seria digno poder realizar uma restauração para um patrimônio tão lindo….infelizmente, só podemos sonhar….

  6. Ola André,

    Adoro ver o seu blog.
    Estou a contacta lo pois gostaria de saber se disponibiliza alguns dos locais as suas localizações.

    Obrigado

    Rute

  7. Agradecida ao partilhar tantos encantos estruturais. Como gostaria de saber todas as histórias . Uma visita, virtual , tendo em vista estar no Brasil, em meio à pandemia. Um abraço

  8. A bandeira dos EUA entre os anos de 1858 e 1859 tiveram 32 estrelas, que foram quantas estrelas eu consegui contar no confuso teto… A frase “América visita Portugal” não estaria relacionada à visita de algum dignatário americano a Portugal entre os anos de 1858 e 1859? E o mito que o recebe, seria Ulisses? E o mito com o réptil? São especulações, mas podem fazer sentido…

  9. Obviamente eu não contei as estrelas dos cantos, só as do meio. Esqueci de colocar isso no comentário principal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.