Casa Comercial

A “Casa Comercial” é o nome verdadeiro que era atribuído a esta casa. No rés-do-chão estava a loja/mercearia e o primeiro e segundo andar do edifício eram a casa habitacional. A loja esteve em funcionamento nos anos 60 (não sei até que data se manteve aberta) e foi uma das partes mais incríveis de descobrir nesta casa.

Fui dos primeiros a entrar nesta casa, mas não fui o primeiro e já tinha visto fotografias dela, mas não da mercearia, aliás julgo ter sido a primeira pessoa a entrar naquela mercearia nos últimos 20 anos. A porta estava carregada de teias de aranha por dentro e claramente se via que ninguém abria aquela porta há muito tempo.

Julgo que quando os donos da casa começaram a ficar mais velhos, continuaram a viver na casa, mas fecharam a porta da loja e nunca mais a abriram. Existiam milhares de cartas na casa, com datas muito diferentes, e foi bastante difícil perceber a história.

Sei que a família era bastante numerosa, não só pelas cartas mas também porque a casa tinha 6 quartos. Os donos originais já devem ter falecido há bastante tempo e ficou a viver na casa uma das filhas deles (Maria Antónia), que tinha o primeiro nome igual ao da mãe. Ela, tal como a maioria dos outros filhos, nasceu nos anos 30, se fosse viva teria hoje perto de 90 anos (encontrei a cédula pessoal dela), mas penso que já tenha falecido e depois disso a casa ficou inabitada.

Pelo que percebi das cartas, a senhora viveu lá sempre e nunca casou, ao contrário dos irmãos. Existe um andarilho na casa (também está nas fotos), com o nome dela. Sei que muitas pessoas da família emigraram para o Brasil (existe cartas, passaportes e até mesmo certificados tirados no Brasil) e ao pesquisar pelo nome da família e aldeia, encontrei um fórum que explora as origens das famílias. Foi possível encontrar lá pessoas que estão no brasil com o mesmo sobrenome, à procura de familiares nessa mesma aldeia, o que me leva a crer que se perdeu o contacto entre as gerações que emigraram e as que ficaram cá.

Mas julgo que tem de existir descendência em Portugal e é muito estranho uma casa destas ficar assim ao total abandono, completamente aberta. As silvas começaram a invadir o exterior da casa, as portas estão abertas, é muito estranho. Já vi muitas casas abandonadas, mas não com a dimensão e recheio desta.

Falando em recheio, o que me deixou também boquiaberto foi o conteúdo da casa. Encontrámos joias, notas antigas, máquinas fotográficas e toda uma série de objetos incríveis que podem ver nas fotos. Maioritariamente, tudo dentro de um armário que estava semiaberto. Tirei para fora meramente para poder fotografar e depois voltei a colocar no sítio em que estavam.

Fui duas vezes à casa, a segunda com intenção de melhorar as fotografias e explorar um pouco mais, pois a casa é enorme, mas passadas algumas semanas desde a primeira visita, chego à casa e  tive uma surpresa desagradável. Estava completamente remexida, a maioria destes objetos de valor obviamente que já lá não estavam, até um quadro desapareceu. Sei que já foram lá mais pessoas para fotografar, sei também que já foram inclusive espanhóis, pois já vi publicações com fotos.

Mesmo não partilhando localizações, ficou claro para mim que é impossível proteger estes locais por mais que se tente. Ainda tenho esperanças que tenha sido algum herdeiro que lá tenha ido buscar aquilo que considerou ser de valor, mas duvido, senão tinha fechado a casa não? Presumo mesmo que foi obra da gatunagem. Existem pessoas que adoram estes locais para explorar e fotografar e infelizmente existem outras que gostam por motivos menos bons.

Vou tentar saber melhor a história da casa e se descobrir mais informações, farei uma atualização a este post, onde provavelmente irei colocar mais fotografias também.

André Ramalho

Sou um apaixonado por fotografia e locais abandonados, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar os meus registos e aventuras.

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