Casa do Altar

Existem milhares de casas abandonadas por Portugal fora… nas pequenas aldeias principalmente é muito comum encontra-las, algumas felizmente passam despercebidas, ou são protegidas pelos vizinhos, até que os herdeiros (quando existem) decidam fazer alguma coisa com elas.

Outras casas (como esta) infelizmente não têm tanta sorte… após vários anos de abandono acabam por ser pilhadas e vandalizadas por pessoas da zona, geralmente jovens. Quando entrei nesta casa tive imediatamente a percepção que passaram muitos miúdos por ali… e que por qualquer razão acharam que era divertido partir coisas e desenharem nas paredes.

Nesta casa viveu Fernanda, funcionária do Ministério das Finanças juntamente com o seu marido e os seus quatro filhos. Os últimos documentos que encontrei nesta casa são de 2007, e eram documentos referentes a um internamento que a senhora teve, nessa altura com 89 anos de idade. A julgar pelos quadros e pelo altar que existe numa pequena divisão da casa, era notória que a Sr. Fernanda era uma pessoa muito religiosa.

O Sr. Almiro do café da aldeia, contou-me que a casa está abandonada há 10 anos, e que os filhos não querem saber do local. Na altura do falecimento da Sra. Fernanda, a irmã (Sra. Colinett) tomou conta da casa mas acabou por falecer também dois anos depois. Os filhos retiraram as coisas de valor, e nunca mais apareceram na aldeia. Um dia o portão da casa apareceu aberto, diz o Sr. Almiro que alguém lá foi “buscar umas coisinhas” dando a entender que alguém da aldeia aproveitou o facto da casa estar abandonada para retirar algumas coisas, e que a partir dai os miúdos ficaram com curiosidade e começaram a entrar na casa.

Tentei puxar um pouco mais pelo Sr. Almiro, para ter mais detalhes sobre a história da casa, mas não revelou muito mais… no final disse “morremos e o trabalho de uma vida fica cá para que?“, e fiquei a pensar nisso durante alguns dias para ser sincero.

Já vi demasiados locais abandonados, muitos porque ficam esquecidos, outros porque precisam de obras de restauração e é mais fácil ignorar que existem e outros porque os donos pensam que os locais valem muito dinheiro e na verdade não valem… e preferem deixar cair do que vender por uma “ninharia”. Fica a pergunta, não era melhor vender por pouco e ver alguém aproveitar o local para algo, do que deixar cair? Eu acho que sim.

André Ramalho

Sou um apaixonado por fotografia e locais abandonados, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar os meus registos e aventuras.

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