Palácio do Conde de Sucena

O Palácio do Conde de Sucena, hoje completamente ao abandono, situa-se numa quinta no concelho de Águeda, onde podemos encontrar várias edificações, o que resta de lagos artificiais e uma gruta. Quando visitámos a quinta, não tínhamos conhecimento que a propriedade fosse tão grande e fosse tão interessante. A partir da casa, existe uma escada em caracol que dá acesso a um túnel subterrâneo que tem várias saídas. Uma delas vai dar a uma gruta e um lago artificial, quase que fiquei com a sensação de estar na Quinta da Regaleira, pela aparência da gruta.

A gruta, por muito real que parecesse ao longe, de perto era facilmente visível que era uma gruta artificial, por dentro das “rochas” existiam arrames de ferro, cimento e outros materiais usados para dar forma à gruta, mas é uma construção muito bem feita. No local, também estava uma estatua de uma gárgula, que foi vandalizada e a cabeça desapareceu.

O Conde de Sucena nasceu na Borralha, a 13 de abril de 1850, sendo-lhe dado o nome de José, simplesmente. Mais tarde foi-lhe dado o sobrenome de Rodrigues de Sucena, apelidos do seu pai. Aos 17 anos, contrariando a vontade do seu pai, que queria que seguisse um futuro eclesiástico, seguiu rumo ao Brasil, na procura de um futuro melhor que a vida modesta que levava na aldeia. Persistente e determinado, trabalhou num negócio de artigos religiosos e mais tarde foi sócio numa conceituada empresa ligada ao vestuário.

No centro do Rio de Janeiro, mandou construir um enorme edifício de vários pisos e uma capela artisticamente decorada, onde procedeu ao desenvolvimento dos seus negócios. Deslocava-se com frequência à Europa, onde era recebido pelo Papa e abriu negócios em Paris. Tornou-se um homem rico. Foi agraciado com o título de Cavaleiro de S. Gregório Magno, foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, foi Visconde de Sucena e em 1904 foi Conde de Sucena. Grande benemérito, prestou inúmeros auxílios às populações e mandou construir um hospital em Águeda, que ainda existe. Faleceu a 15 de abril de 1925. Depois disso, a quinta deve ter tido bastantes donos, mas por uma razão que não consegui apurar, acabou no estado que podemos ver nas fotos.

 

André Ramalho

Sou um apaixonado por fotografia e locais abandonados, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar os meus registos e aventuras.

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