Shopping Centro

Já tinha conhecimento deste centro comercial desde que comecei a fotografar locais abandonados, aliás, é um centro comercial que foi muito conhecido no seu tempo, e embora eu não o vá identificar nesta publicação, para proteger um pouco o local, acredito que muita gente o vá reconhecer.

Foi um dos locais que visitei mais difíceis de fotografar. 3 dos 4 pisos que o edifício tem estão completamente sem luz natural, porque não tem janelas e como é lógico, o edifício não tem luz elétrica, portanto grande parte das fotografias tiveram de ser tiradas com luz artificial, algo que detesto fazer.

Andar pelos corredores deste enorme shopping, sem luz e com o barulho dos muitos pombos que vivem no interior, foi algo intimidante, já para não falar do cheiro e sujidade acumulada. Um verdadeiro centro comercial fantasma, que me fez pensar nos filmes de terror de que tanto gosto.

Nos anos 90, altura em que o centro comercial foi construído, era um dos maiores em Portugal, com 4 pisos de lojas, cinema e bowling. Fechou duas décadas depois de abrir e é difícil explicar o motivo. A falta de afluência ao centro comercial por parte da população e as rendas elevadas que os lojistas pagavam, podem explicar a situação. Quando o centro comercial fechou, apenas 23 lojas estavam em funcionamento, das centenas que existem no interior do shopping e, portanto, quando o centro comercial deixou de funcionar definitivamente, não foi surpresa para ninguém.

Dois anos depois de fechar, o centro comercial foi alvo de furtos e atos de vandalismo. Partiram uma das portas de vidro, que dava acesso ao shopping e durante alguns dias fizeram o que bem entenderam no interior do edifício. Os proprietários do shopping acabaram por colocar uma vedação, para impedir o acesso ao imóvel.

Os sinais de vandalismo e furto no interior do centro comercial são bastante notórios, ficou apenas aquilo que não valia dinheiro ou era demasiado pesado para levar, como é o caso das máquinas de musculação, bicicletas elípticas, uma banheira de hidromassagem e um solário que estavam num health club, que existia no interior do shopping.

A loja de oftalmologia também tem muito material e nas lojas de roupa, embora não tenham peças têxteis, ficaram para trás os manequins e as máquinas registadoras. Um cabeleireiro e uma engomadoria também têm algum material no interior. Numa antiga loja de fotografia e revelações, ainda é possível encontrar vários quadros com fotografias.

O que veem nas fotos, é o que ficou para trás, mas na altura em que o shopping foi furtado e vandalizado, o que teria mais? Provavelmente, muito mais do que agora. E a grande pergunta é: Porque razão os proprietários das lojas não levaram consigo o conteúdo das mesmas? A grande maioria levou, porque muitas das lojas estão vazias. Os que não levaram, penso que nunca imaginaram que o local ia ser alvo de furtos e porque talvez pensassem que o shopping ia mais tarde reabrir, possivelmente com outros proprietários, mas tal nunca aconteceu e duvido bastante que vá acontecer para breve.

André Ramalho

Sou um apaixonado por fotografia e locais abandonados, e por isso resolvi criar este blog, com o intuito de partilhar os meus registos e aventuras.

9 thoughts on “Shopping Centro”

  1. Boas, sou uma pessoa que tem um grupo de amigos que costumamos entrar em lugares abandonados. Seria possível mandar a localização deste shopping sff

    1. hey eu nao sei onde fica este especifico mas eu gostava muito de explorar locais abandonados especialmente perto de lisboa recomendações

      1. Lamento Artur, mas maioria dos locais não são revelados o nome real e localização de forma a protege-los de vandalização e furtos. Sugiro que o Artur explore mesmo, procure locais e explore-os, com algumas pesquisas não deve ser difícil de encontrar alguns. Boas explorações!

        1. André, O espaço já foi vedado. Nem pelo parque de estacionamento conseguem entrar e como já se sabe não há nada de valor a levar. Felizmente os vândalos não era do tipo do graffiti, que aqui ficava pior do que nas edifícios abandonados que têm as paredes desprovidas de tinta.

          O local é o Vila Franca Centro, e é visível à saída da estação Vila Franca de Xira, e não vale a pena procurar tentar entrar porque se na altura os vândalos tiveram que partir uma porta de vidro de certeza na zona sul perto da estação, essa está completamente vedada até ao teto do andar. Contente-se com as fotos e no que toca ao exterior, as do Google Maps e mais algumas do interior por parte da MAGG.

          Infelizmente poucas fotos existem do Centro em atividade e são todas em baixa resolução. O Centro claramente tinha uma estética que assentaria com o movimento Vaporwave que apareceu no início desta década.

          Por fim, como algúem que visitou o local esporádicamente durante a infância e dois momentos da minha adolescência antes do fecho, como criança, fora a LEGO Store, não havia nada de interesse para crianças, e quando fui lá pela última vez já tinham fechado e tirado tudo.
          Chegou por volta de 2009 a ter um cybercafé mas era local apertado e como podem adivinhar pelo ano, o fenómeno dos cybercafés estava a morrer à medida que a malta jogava os seus jogos online em casa no PC ou consolas, portanto na última vez que fui, já tinham fechado.
          A Chip7 tinha loja lá e eu não sabia e de certo que é a loja em que várias caixas de pcs esventrados aparece na galeria de fotos da MAGG.
          O centro de bowling de certeza que foi o último prego no caixão no que toca a tráfego jovem no Vila Franca Centro. Fui lá com 14 anos e mesmo assim não havia tanta gente nas lanes. Cheguei a comprar um kit de bowling com bola personalizada que ainda tenho comigo hoje (a ganhar pó, porque já não parece haver lugar para praticar fora o Colombo). Última vez a ir lá, you guessed it, fechado.
          O Cinema IMAX há muito que tinha fechado também. Se calhar mesmo na altura em que tinha 14 anos.
          Pela altura que eu tinha ido pela última vez apenas havia lojas no R/C, um punhado no 1º, os restaurantes no 4º andar e os restantes 2º e 3º estavam ÁS ESCURAS, iluminados apenas pela luz que vinha do lugar dos elevadores. Cheguei a caminhar esses corredores e a passar pela mesma sensação de terror, mesmo sem o abandono, apenas porque não havia vivalma nesses andares.

          Os maiores problemas do centro foram sem dúvida a falta de lugares para a malta nova frequentar, nem lugar para um supermercado que atraisse clientela. A esmagadora maioria das lojas vendiam apenas roupa, muita nem era orientada para o tal público jovem, e como ao longo da década passada o VFC passou a ter o CC Vasco da Gama como competição… a malta preferia encontrar-se lá onde havia mais lugares para irem fazer compras que lhes interessassem.

          Agradeço o facto que quer manter o local privado mas o estrago já tinha sido feito e o local foi própriamente vedado… uma questão contudo… já em 2017 vi aquilo vedado quando tive que ir a Vila Franca, como é que publicou estas fotos em 2019? Foi com um fotógrafo da MAGG explorar o local sob permissão?

  2. Conheço bem. É na minha zona… de facto nunca se percebeu a falta de adesão das pessoas. Tinha tantas novidades!!

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